terça-feira, 14 de maio de 2013

Romeu e Julieta

Julieta foi passear no parque e encontrou o seu amor
Quando os olhares se cruzaram, a vida mudou de cor
Os corações dispararam, e não viram o sol se pôr
Então, Romeu a tomou em seus braços e lhe beijou com fervor.

Palavras não eram necessárias, o silencio era revelador
Sim, era real. Ela não era uma atriz, nem ele um ator
Os problemas foram varridos, talvez, para baixo de um cobertor
Nada mais importava, diante da descoberta do amor.

Mas, como num passe de mágica, Romeu evaporou
Julieta adoeceu, emudeceu e chorou
Tristeza e dor, tudo o que em seu peito restou
Sem entender porque, seu amor a abandonou.

Julieta é a princesa mais bela
Serei eu digno do amor dela?
Não passo de um ser errante, e se eu errar com ela?
Não haverá castigo suficiente, nem a mais horrível cela.

Romeu adoeceu, emudeceu e chorou
Por conta de um amor que não viveu, e sim, abandonou
A tristeza, pelo resto da vida o acompanhou
Mas nada se compara com o martírio da dúvida, cujo coração secou.

E se a covardia e a insegurança não tivessem surgido?
E se o fugitivo não tivesse fugido?
E se esse amor tivesse sido vivido?
E se...

E se não existisse o tal do "se"?

Talvez a vida fosse como um texto, numa folha escrita,
Que pudéssemos amassar e jogar fora, se a história não fosse bonita. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Diálogo entre pai e filho V: o botafoguense

João é botafoguense, apesar do pai rubro-negro. Rubro-negro sadio, não doente, graças a Deus, senão o infarto seria o caminho natural das coisas.
 
O interessante é que ele possui mesmo a personalidade do botafoguense. Aquele pessimismo característico, quase covarde dos alvinegros.
 
O jogo pode estar 5 x 0 para o Botofogo, que com 45 minutos do segundo tempo a torcida ainda está apreensiva, ninguém comemora, com medo de uma (im)possível virada, todos aguardando o apito final desesperadamente para soltar o grito de vitória.
 
Que quase sempre é sofrida... assim como a torcida.
 
Assim como aquela frase que define o time: "Tem coisas que só acontecem ao Botafogo." Acho que foi outro João quem disse isso, o Saldanha.
 
E assim, como milhares de botafoguenses, João não liga muito para futebol. Não gosta. Não sabe quando o Botafogo joga ou jogou. Não se interessa em saber se ganhou ou perdeu. Não sabe qual o campeonato que está disputando. Mas possui uma atração irresistível por aquela estrela solitária.
 
O curioso é que isso é inerente a personalidade dele, é algo verdadeiro. Vejamos alguns diálogos:
 
"- Olha pai, o Botafogo está ganhando, quem diria?!"
 
"- João, o Botafogo ganhou do Vasco.
- Pô, pai, esse Vasco deve ser muito ruim, pra perder do Botafogo!"
 
"- João, o Botafogo é o líder do campeonato!
- Ah, vou comemorar não, deve ser passageiro."
 
Parêntesis. E como todo botafoguense, adora quando o Flamengo perde. A derrota do Flamengo acaba sendo mais importante que a vitória do Botafogo, ou até mesmo que a existência do Botafogo. É, acho que o infarto não está descartado. Fecha parêntesis.
 
Acho que sinto até inveja desse desinteresse futebolístico. Pois o apaixonado pelo futebol, pelo seu time, sofre com as derrotas na mesma intensidade com que vibra com as vitórias. Certamente ele vai ser poupado de muitos dissabores ao longo da vida, em função da bola.
 
Até porque, têm coisas que só acontecem ao Botafogo.
 
E coisas que só acontecem comigo.
 
Parabéns, filho! O Fogão foi campeão!!!
PAPAI TE AMA! FOGOOOOOOO   
   

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Diálogo(?) entre pai e filha IV: Sessão de Terapia

- Pai, eu tenho uma pergunta.
 
Não, não começou assim. Ao contrário do irmão, a Manoela não tinha uma pergunta. Quem tinha a pergunta era eu.
 
Explico. Aos sete anos de idade, Manoela começou a apresentar alguns comportamentos, digamos, "destoantes da normalidade" para os padrões atuais. "Caso para psicólogo", sentenciaram os arautos da sociedade moderna. 
 
Na época dos nossos avós, um bom castigo dava jeito. E não custava nada. E ninguém morreu. Todos cresceram e viveram suas vidas.
 
Hoje em dia, é caso para psicólogo. E é caro. E o pior: com ou sem ele, ninguém morrerá, todos vão crescer e certamente irão viver suas vidas.
 
O problema é que hoje existe o tal psicólogo. Não basta a criança ter que fazer natação, balé, futebol, judô, curso de inglês e espanhol. Tem que fazer análise também.
 
Dasabafos à parte, os comportamentos ditos "destoantes da normalidade", no caso, eram uma baixa autoestima e ciúme excessivo do irmão. Fora alguns ataques de pirraça quando contrariada. Ah, e tem as orelhas. Não podem ficar de fora, o cabelo tem que tapá-las. Não sei se isso é um comportamento "destoante da normalidade", mas já que vai fazer terapia, aproveitamos para embutir no pacote, pelo sim, pelo não.
 
É isso mesmo que você leu: baixa autoestima, ciúme e complexo com as orelhas.    
 
Fico imaginando se eu fosse criança nos dias de hoje. Tímido, calado, introspectivo. Meus melhores amigos eram os livros e meus botões. Acredito que seria caso pra psiquiatra.
 
Mas, enfim, lá fomos nós, eu e a mãe dela, atrás da psicóloga.
 
Sempre nutri uma curiosidade pelas sessões de terapia. Pensei até em fazer. Não que eu ache que tenha algum comportamento "destoante da normalidade". Pode ser que eu tenha e não saiba. Também não tenho interesse pelo autoconhecimento (eu sou isso mesmo que eu sou e pronto, paciência). É pura e simples curiosidade.
 
Será que tem um divã? Será que o psicólogo fica sentado, mudo, com semblante sério anotando coisas a meu respeito num caderninho? Será que ele diz no final "nosso tempo acabou"? O preço das sessões, contudo, sempre falou mais alto do que a minha curiosidade.
 
E agora estava eu lá, a caminho de uma analista. Não para mim, mas para minha filha de oito anos. Ah, as coisas que a gente não faz pelos filhos!
 
Não, não tinha um divã. Nem um caderninho. E ela não era muda, pelo contrário, falava bastante. E no final não disse "nosso tempo acabou". Disse: "a consulta custa tanto."
 
Voltando a tal pergunta que eu tinha no inicío do texto.
 
- Filha, como foi a sua sessão com a psicóloga?
- Pai, não posso falar, né, é sigiloso!
 
Pois é. É sigiloso. Ainda por cima eu não posso saber nada que se passa lá no consultório da analista falante.
 
Só me resta torcer para que Freud explique e melhore (Oxalá cure) os comportamentos ditos "destoantes da normalidade" da minha filha. Que ao final da terapia ela possa, pelo menos, usar um rabo de cavalo.
 
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PS: Esta crônica foi escrita em fevereiro e o cronista precisa fazer justiça. O negócio funciona. Com menos de três meses de terapia, minha pequena está bem mais calma e extrovertida. As orelhas, contudo, permanecem tapadas. E continuo sem saber o que se passa na sessão. Mas recomendo. De repente, quando ela tiver alta, quem sabe não será a minha vez? Já estou com inveja...   
 
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O poeta persistente

Um poema rimado eu tento escrever.
E penso se alguém vai ler.
Pois fazer as rimas dá trabalho
E não há como pegar um atalho.

A primeira estrofe eu já escrevi
E o tema ainda nem escolhi.
A segunda não traz qualquer mensagem
E a terceira já pede passagem.

Que poeta de araque eu sou.
Nem sei que tema eu dou.
Poema sem assunto, que não diz nada
Bem vagabundo, é roto, de nonada.

E sem nada para dizer
Não vejo o que fazer.
A poesia ficará banal
Já que a última estrofe está no final.

Mas não me dou por vencido,
E escrevo um epílogo intrometido.
Só pra dizer que se hoje eu não fui feliz,
Um dia eu serei e ainda vão me pedir bis.

Pois sou um poeta persistente
Não desisto. Sigo em frente.
E prometo que pensarei em algum tema
Quando escrever o próximo poema.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um banho morno beeeem demorado.

- OK.
- Como?
- OK.
- Gustavo Henrique, você não ouviu nada do que eu falei?
- Ouvi. Eu disse OK.
- Eu sei que você disse OK. Por isso eu não acredito que você tenha ouvido uma palavra do que eu falei.
- Você falou que o síndico mandou racionar água, por causa do problema de abastecimento da Cedae.
- E é só isso que você tem a dizer? OK?!
- O que você quer que eu diga?
- Nada. Eu quero que você tome uma atitude. Que vá falar com o síndico. Que diga a ele que um dos poucos prazeres que sua mulher tem é tomar um banho morno beeeem demorado. Que ele que se vire com a água, chame um carro pipa, sei lá. Mas não, né, Gustavo Henrique, você tá se lixando pra sua mulher. Você prefere dizer OK para o síndico, do que defender sua mulher.
- Célia Regina, pelo amor de Deus, não surta. O síndico tá fazendo o papel dele, ele não tem culpa se não tá entrando água na caixa d` água do prédio.
- Então liga pra Cedae! Reclama com o prefeito. Vá ao Papa, mas defenda o sagrado direito da sua esposa de tomar um banho morno beeeem demorado!
- Célia Regina, seja razoável.
- Seja razoável? Você é um cretino, Gustavo Henrique. Quando cai o sinal da TV a cabo no meio do seu futebol, você vira bicho. Liga pra lá e só falta comer o telefone! Quando cai a internet e você não consegue postar nada no facebook, idem. Agora quando é um prazer da sua mulher que lhe é retirado, no caso um banho morno beeeem demorado, ela tem que ser razoável. Você não me ama mais.
- Céus...
- É isso. Foi preciso acabar a água, pra eu chegar a essa conclusão. Tchau, Gustavo Henrique.
- Aonde você vai?
- Pra casa da mamãe. Lá o síndico não mandou racionar água. E talvez eu não volte.
- OK.
- Como?  


quarta-feira, 10 de abril de 2013

A mangueira do diabo

Manoel morreu. Não, não foi pro céu, ao contrário do que aconteceu na canção do Ed Motta.
 
Neste conto ele foi pro inferno.
 
Mas achou que tinha ido pro céu. Aquele lugar não se parecia em nada com a representação do inferno que havia visto algumas vezes, quando era vivo.
 
Não havia fogo nem cheiro de enxofre. Não havia diabinhos com tridentes tentando espetar os traseiros dos seus habitantes.
 
Na verdade, o lugar era lindo. Um infinito campo de grama verde, um céu azul anil e uma melodia que reconheceu como sendo a Nona Sinfonia de Beethoven. Completando o quadro, um leve odor de lírios do campo.
 
Mas à frente, uma frondosa árvore, que ele reconheceu ser uma bela mangueira. Sentado embaixo de seus galhos, e chupando uma apetitosa manga, o dono do lugar.
 
- Seja bem-vindo, Manoel!
- Você é o ...
- Em carne e osso.
- Mas aqui não é o céu?
- Não, é o inferno. Mas tudo bem, fica frio, todos se confundem.
- Não estou entendendo. O inferno é um lugar bonito, tranquilo, bucólico, cheiroso e embalado com a mais bela das músicas clássicas?!
- Obrigado. Eu reconheço que tenho bom gosto.
- Puxa! Se os vivos soubessem disso, não haveria mais bondade no mundo.
- Fazem propaganda enganosa minha lá na terra. Mas é tudo intriga da oposição.
- E agora, o que eu faço?
- Fique à vontade. A casa é sua. Qualquer dúvida é só me procurar aqui, na minha mangueira.
 
Uma semana depois, lá foi Manoel atrás do danado.
 
- Chefe, é o seguinte: NÃO AGUENTO MAIS ISSO AQUI! É tranquilo demais. Não acontece nada! Esse cheiro de lírio está embrulhando meu estômago. E essa música que não para nunca, não dá pra desligar esse rádio? Pelo menos troca a música, põe um Paralamas, um sambinha, qualquer coisa menos essa sinfonia que já está me dando nos nervos...
- Calma, Manoel. Você está aqui só há uma semana e já está enjoado?
- Quero ir embora.
- Ok, pode ir. Você é livre aqui.
- Mas não consigo. Esse campo é infinito, não acaba nunca. Onde é a saída?
- É, isso é um problema. Não tem. Só tem entrada.
- MAS ISSO AQUI É UM INFERNO!!!
- Exato. Seja bem-vindo Manoel. Agora você finalmente entendeu o espírito da coisa.
- E agora, o que eu faço?
- Chupa essa manga. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

As tríades da vida: um pouco da cultura celta e algumas bobagens.

O povo celta considerava o número três sagrado. Eles tinham um símbolo, chamado Triskle ou Triskelion, que é uma espécie de estrela de três pontas, levemente curvadas, dando a impressão de movimento.
 
Segundo sua cultura, tudo na terra (chamada de Deusa), tinha um tríplice aspecto. Senão, vejamos.
 
Três eram as faces da Deusa: donzela, mãe e anciã.
A primitiva divisão do ano continha três estações: primavera, verão e inverno.
Assim como três eram as fases da lua: crescente, cheia e minguante.
 
E não parava por aí.
 
A natureza humana também aparece com um tríplice aspecto: corpo, mente e espírito.
Os elementos da natureza: céu, mar e terra.
O tempo: passado, presente e futuro.
Finalmente, temos o ciclo da vida: nascimento, vida e morte.
 
Outro aspecto interessante: se as pontas da Triskle estiverem curvadas para a direita, dando a impressão de movimento no sentido horário, representa expansão e crescimento. Em sentido contrário, simboliza proteção e recolhimento.
 
De um modo geral, este símbolo está associado ao crescimento pessoal, ao desenvolvimento humano e  sua evolução espiritual.
 
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Simpatizo com isso tudo. São idéias que se coadunam com o que eu acredito.
 
Parêntesis. Não cabe agora discorrer sobre "o que eu acredito". Fica pra uma próxima oportunidade. Fecha parêntesis.
 
Mas essa história do número três ficou na minha cabeça. Não resisti. E comecei a pensar em outras triplicidades.
 
De acordo com a nossa Constituição Federal, possuímos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
 
No horóscopo, os signos são divididos em grupos de três, as chamadas triplicidades: três signos de ar, três de fogo, três de terra e três de água.
 
No campo religioso:
 
Temos a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Os Reis Magos eram três: Baltazar, Melchior e Gaspar.
Na Umbanda trabalham três entidades: crianças, caboclos e pretos velhos.
 
Agora vamos nos divertir um pouquinho:
 
O pato Donald tinha três sobrinhos: Huguinho, Zezinho e Luizinho.
Dartanhan tinha os três mosqueteiros: Athos, Porthos e Aramis.
Três eram os porquinhos: Prático, Cícero e Heitor.
Assim como os patetas: Larry, Curly e Moe.
Recentemente, conhecemos as super poderosas: Lindinha, Docinho e Florzinha.
 
Isso tudo significa que...
 
Bom, pode não significar nada.
 
Mas rende um bom título para uma história de suspense: "O Enigma do Três."
Com três mortos, três suspeitos, três detetives e três mordomos.
 
Talvez um dia eu a escreva. Com três finais diferentes.